Sintra – monumentos pertinho de Lisboa

Sintra – monumentos pertinho de Lisboa

Sempre ouvi dizer que Sintra é pertinho de Lisboa e que é perfeito para um bate e volta. De fato é perto, apenas 30 km de distância, mas Sintra é uma região muito maior do que eu pensava e vai MUITO além daquele palácio colorido (o Palácio da Pena). Cheguei à conclusão de que, para conhecer minimamente o que Sintra tem a oferecer, precisamos de “alguns” bate e volta!

Trata-se de uma região lindíssima numa serra imponente, rica em verde e rodeada de misticismo. Os súbitos nevoeiros e a mistura arquitetônica dos seus palácios, repleta de elementos góticos, egípcios, islâmicos e renascentistas, dão tons exóticos e enigmáticos. Para se ter ideia do quanto esse lugar é incrível, a Madonna, que não é boba nem nada, comprou uma “quinta” em Sintra (“quinta” para os portugueses = propriedade rural). A família do Ayrton Senna também tem uma propriedade por lá.

O primeiro foco da arquitetura romântica europeia começou justamente em Sintra, no século XIX, espalhando-se pela Europa afora. Existem, pelo menos, seis monumentos no entorno que não deveríamos perder, cada qual com estilo próprio, super diferentes dos castelos e palácios europeus que estamos acostumados a ver.

Sem contar que a maioria está inserida dentro de propriedades gigantes, com lagos, fontes, jardins, grutas e muita natureza. Ou seja, com certeza você vai querer conferir essas partes externas também, nem que seja para dar uma voltinha rápida.

Num mundo perfeito, eu diria para você conhecer um monumento por dia, mas sei que a maioria de nós, viajantes, não tem esse tempo, então temos que escolher… e torcer para um dia voltar e ver o restante, né?!

Nesse post, portanto, vou contar sobre os lugares que consegui visitar, e listar os que ficaram para uma próxima, totalizando os 6, que na minha opinião, são imperdíveis. E aí você pode fazer suas escolhas, montando seu próprio roteiro de castelos e palácios por Sintra. Não será uma tarefa fácil porque é tudo MUITO lindo!!!

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O Centrinho de Sintra


Parque e Palácio Nacional da Pena

Vamos começar pelo mais famoso e que foi nomeado uma das 7 maravilhas de Portugal: aquele castelinho amarelo e vermelho que com certeza todos já viram em fotos!

No século XIX, D. Fernando II, comprou as ruínas de um mosteiro e transformou no palácio que vemos hoje, cheio de elementos góticos, islâmicos e renascentistas. Ele criou também o parque em que o palácio está inserido, influenciando a construção de outras propriedades no entorno, que também seguiram essa mistura de referências locais e exóticas.

Os jardins do parque são lindos, cheios de pontes, grutas, pérgulas e fontes, enfeitados por flores e espécies arbóreas de diversas partes do mundo que, se bobear, nem existem mais nos seus locais de origem.

Foi o primeiro palácio romântico da Europa, construído uns 30 anos antes do queridinho Neuschwanstein, na Alemanha!

Em 1995 a UNESCO classificou a Serra de Sintra como Paisagem Cultural – Patrimônio Mundial, abrangendo, também, o Parque e Palácio da Pena. O destaque vai para o Claustro Manuelino e para a Capela, pois são partes originais do antigo mosteiro.

Para chegar não é fácil! São uns 15 minutos de subida intensa pelo parque, a partir do portão principal. Não sei como consegui subir com quase 7 meses de gestação, vi muito marmanjo chegando “esbaforido” lá em cima, muito pior que eu! 

As entradas para o parque e para o castelo são coisas diferentes. Você pode optar só pelo parque ou pelos dois juntos.

Para ver melhor o mapa abaixo e ter ideia do tamanho do complexo, bem como para conferir as informações atualizadas, como horário de funcionamento e preços de entrada, clique aqui.

Mapa extraído do site parquesdesintra.pt

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Palácio da Pena, famoso por fotos

Quinta da Regaleira

Agora vou falar do monumento que me deixou de boca aberta! A Quinta da Regaleira é simplesmente SURPREENDENTE!!! A arquitetura é a mais diferente que vi na região, me lembrou um pouco o estilo Gaudí de ser. Além da arquitetura inusitada, é um local enigmático e místico, tanto é que todas as explicações que li sobre esse lugar são abstratas demais para uma pessoa concreta como eu. Até agora não consegui “traduzir”, rs! Então, para você entender o que estou dizendo, segue o texto que veio no mapa da Quinta:

“Enquanto representação do cosmos, o jardim é aqui revelado pela sucessão de lugares de magia e mistério. A demanda do paraíso é materializada em coexistência com um mundos inferus – um dantesco mundo subterrâneo – ao qual o neófito seria conduzido pelo fio de Ariadne da iniciação. Concretiza-se entre os vários cenários e a representação de uma viagem iniciática, qual vera peregrinatio mundi, por um jardim simbólico onde podemos sentir a Harmonia das Esferas e perscrutar o alinhamento de uma ascese de consciência, em analogia com a demanda do Ser que ressalta das grandes epopeias.”

E aí, entendeu, rs? Todas as referências que encontro são assim… enigmáaaticas!!

Bom, a história da Quinta da Regaleira é a seguinte: existe desde o fim do século XVII, mas apenas no século XIX foi ampliada pelo bibliófilo António Augusto Carvalho Monteiro, um homem rico e culto que contratou os melhores arquitetos, escultores, entalhadores e até um cenógrafo para deixar esse monumento do jeito impressionante que é hoje, predominando os estilos neo-manuelino e renascentista.

O jardim é recheado de cantinhos misteriosos, com referências ao inferno de Dante, à mitologia, à alquimia, à Maçonaria, além de contar com centenas de estátuas, lagos, cascatas, grutas e túneis. Além disso, existe um mundo subterrâneo que leva de um ponto ao outro. Eles gostavam tanto do subterrâneo “dantesco”, rs, que a obra mais famosa de lá, o Poço Iniciático, é uma torre invertida, ou seja, a torre cresce para baixo e não para cima!! E em espiral!!

Com certeza você também já viu foto desse Poço, pois é a parte mais famosa da Quinta. Inclusive, eu achava que o passeio meio que se resumia a ele e pronto. Nãaaaoooo!!! Chegando lá vi que a Quinta da Regaleira é muito mais que o poço e a vontade era de passar o dia inteiro por ali, mas já tínhamos programação a seguir…

Sobre o Poço, como já disse, é uma torre invertida, que se afunda cerca de 27 metros no interior da terra, acessível por uma escadaria em espiral. Segundo a explicação do mapa do local, é “um espaço de sagração, de conotações herméticas e alquímicas, onde se intensifica a relação entre a Terra e o Céu”. Ouvi dizer que foi muito usado em rituais de iniciação à maçonaria e que tem a ver com símbolos do livro A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Continuo sem entender “lhufas”!! Mas o lugar é lindo e merece ser visitado com calma!

Para ver melhor o mapa abaixo e ter ideia do tamanho do complexo, bem como para conferir as informações atualizadas, como horário de funcionamento e preços de entrada, clique aqui.

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Entrada para o Poço Iniciático

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Passagem subterrânea para o Poço

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Á partir da entrada e da passagem das fotos anteriores, você aparece, mais ou menos, no meio da escadaria, e decide se quer subir ou descer.

Palácio Nacional de Sintra

Fica bem no meio do vilarejo de Sintra, então o ideal é visitá-lo e depois correr para a famosa Piriquita, comer um travesseiro e uma queijada (doces tradicionalíssimos da Piriquita)!!

O Palácio Nacional de Sintra foi um dos palácios usados pela família real até 1910 (fim da Monarquia). Com referências desde o século XI, tem características medievais, góticas, manuelinas, renascentistas e românticas, e integra-se na Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade desde 1995.

Para saber mais informações, horários de funcionamento e preço de ingressos, clique aqui.

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Palácio Nacional de Sintra, com janelas bem típicas dos mouros!

Palácio Nacional de Queluz

Construído no século XVIII como um recanto de verão para D. Pedro de Bragança, é um dos últimos grandes edifícios em estilo rococó erguidos na Europa. Serviu de residência oficial do D. João VI e de sua família, até a fuga da família real para o Brasil, em 1807.

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Foto de visitportugal.com

Convento dos Capuchos

Esse Convento Franciscano foi construído em 1560, a pedido de um vice-rei da Índia, o português D. João de Castro. A sua principal característica é a rusticidade, em perfeita combinação com a natureza que o envolve. Ficou conhecido como “Convento da cortiça” por haver muita cortiça nos seus aposentos e decoração.

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Foto de parquesdesintra.pt

Castelo dos Mouros

Esse castelo foi originalmente ocupado pelos mouros entre dois cumes da Serra de Sintra. Possui vista para o vilarejo e para o mar.

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Castelo dos Mouros

Vila de Sintra e a Piriquita 

O vilarejo de Sintra é pequenininho e uma gracinha. Todo cheio de ruelas de pedestres, com muito “sobe e desce”. É uma delícia para passear vendo as lojinhas charmosas, cafés, restaurantes, etc.

Mas o ponto principal do vilarejo, é a Piriquita – Antiga Fábrica De Queijadas, Ltda., inaugurada há 160 anos e que, hoje, é ponto turístico! A pastelaria ficou famosa pelos seus travesseiros ( bolo à base de massa folhada, creme de ovo e amêndoa) e queijadas (deliciosas tartes feitas a partir de queijo fresco, açúcar, ovos, farinha e um pouco de canela, envolvidas numa massa crocante).

Esse nome esquisito vem do apelido que o rei D. Carlos I deu à esposa do padeiro, por ela ser baixinha.

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Entradinha da Piriquita

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Os famosos travesseiros de Sintra

QUANDO IR
Primavera, outono e início do inverno europeu, pois as temperaturas não são tão baixas (média de 10º C). Eu fui em outubro de 2017 e ainda peguei calor (30ºC), apesar de já ser época de friozinho leve (uns 15 a 18º C),

COMO CHEGAR
Carro: a partir de Lisboa, a viagem dura cerca de 40 min. Sempre alugo carro pela Rentalcars.
Trem: a viagem desde Lisboa dura cerca de uma hora. Consulte aqui preços e horários.

COMO SE LOCOMOVER EM SINTRA
Sempre achei que o melhor jeito de circular entre os monumentos era de carro. Só que não…
Sintra é repleta de ruas estreitas, curvas fechadas sem fim e subidas íngremes. E muitas vezes tudo isso junto. O trânsito é pesado e os estacionamentos são lotados. Acabamos deixando o carro num estacionamento qualquer, e usando um tuctuc para nos levar para os pontos que escolhemos.
Se eu soubesse disso antes, escolheria ir até Sintra de trem e, de lá, pegar o ônibus 434 que faz a seguinte rota: estação de trem de Sintra – Centro de Sintra – Palácio da Pena – Castelo dos Mouros.
Como o ônibus não passa em todos os monumentos, pegaria um tuctuc para ver os demais.
Ah, e com relação aos tuctucs, cuidado! Lá são todos “com emoção”, rs! Eles dirigem que nem loucos e você quase sai voando a cada curva! Eu que estava grávida que o diga!
Veja aqui mais informações sobre esse ônibus.

MAPA COM OS PONTOS CITADOS


Adorei conhecer Sintra, foi um dos pontos altos da viagem para Portugal. Como disse no começo, se você gosta de conhecer tudo em detalhes, um bate e volta a partir de Lisboa não é suficiente. Mas, se quer apenas dar uma passada na região para ver como é, um day trip resolve.

Outros day trip que fiz a partir de Lisboa foram:

Óbidos
Évora
Fátima
Cascais

Beijos,

Thaís! 

thaisnatale

thaisnatale

Meu nome é Thaís, sou advogada e estou sempre planejando as próximas viagens. Já estive em mais de cinquenta países e resolvi criar esse blog a pedido da família e amigos que sempre me pedem dicas e ajuda com os roteiros. E, como gosto de escrever, decidi atender aos pedidos! Sejam bem vindos e espero muito que as minhas dicas e experiências ajudem! Boa leitura!!!