Tudo sobre o Myanmar – para saber antes de ir!

Tudo sobre o Myanmar – para saber antes de ir!

 Dicas do Myanmar

O ano de 2016 não poderia ter começado melhor: conhecendo o tão esperado MYANMAR! Há anos eu sonhava com esse país que se manteve fechado para o mundo por tanto tempo e sobre o qual nós, brasileiros, quase não ouvíamos falar. O fato de ter pouca informação disponível, especialmente sobre algumas cidades, me deixava mega curiosa sobre o que iria encontrar, mas ao mesmo tempo certa de que seria uma viagem, acima de tudo, DIFERENTE.

E foi mesmo! Tão diferente, tão marcante, tão especial, tão única, que escolhi o Myanmar para ser o primeiro destino a ser postado aqui no Blog. Absolutamente TODOS os lugares que visitamos superaram as expectativas, que já eram altas! É DIFERENTE DE TUDO que já vimos, parece que estivemos em outra época, outro mundo, outra dimensão!!!! Se você gosta de FUGIR DO ÓBVIO e daquela sensação de não saber muito bem o que vai encontrar pela frente, simplesmente vá!! E logo!

Espero conseguir passar um pouquinho do quanto esse país é incrível nas postagens!!!! Depois de ler essa introdução com dicas e informações importantes para uma primeira ida, leia sobre os lugares fascinantes que vimos por lá: Yangon, Bago, Inle Lake, Naypydaw, Bagan/Mount Popa e Mandalay… tenho certeza que cada pedacinho também vai te surpreender!!

Bagan, Myanmar, tudo sobre o Myanmar

        Templo em Bagan

O Myanmar, antiga Birmânia, é habitado por cerca de 51 milhões de pessoas, é o maior país do Sudeste Asiático e vizinho de outros muito mais visitados como Tailândia, Índia e China. Até pouco tempo atrás os turistas dificilmente o incluíam num roteiro pela Ásia devido ao conturbado passado de dominação ditatorial, que o isolou do resto do mundo e o tornou o menos conhecido do circuito. Mas o interesse por esse destino tão exótico vem crescendo rapidamente e vi de perto que os europeus, por exemplo, já viajam para lá em peso. Por isso a hora de ir é agora se você quiser ver um Myanmar ainda autêntico!

Visitamos lugares onde ainda não há interferência ocidental nem toque de globalização. É um destino extremamente simples, sem pompa, sem luxo, realmente parado no tempo, daqueles que você pensa: “Uau, não acredito que estou aqui!”. E, para completar, é perfeitamente seguro, nem furto acontece (deve ser por causa da religiosidade dos birmaneses, que é muito forte)!

Para mim, o Myanmar foi a melhor parte da nossa volta pelo sudeste da Ásia. Tudo é muito preservado, verdadeiro… e as pessoas… Ah as pessoas! Como disse um amigo meu, dá vontade de trazer uma família birmanesa na mala! Nunca vi tanta gente simpática e doce por metro quadrado, impossível não voltar apaixonado! Só dá mais vontade de voltar logo para a “Golden Land” (o país é conhecido assim pela abundância em ouro)!!

É impressionante o orgulho dos birmaneses por conseguirem manter as tradições vivas. Nosso guia confessou que eles tem medo de virar “uma Tailândia” (ele e outros birmaneses com quem conversamos criticaram a Tailândia por ter se “ocidentalizado” demais. Deixo claro que é essa é a opinião deles e não a minha). Mas essa preservação toda teve um custo bem alto já que se deve, e muito, à longa ditadura militar e às sanções econômicas impostas pelo Ocidente, o que acelerou o declínio do Myanmar – antes conhecido como “joia da Ásia” – e o transformou em uma das economias mais pobres do mundo (a maioria da população vive com cerca de um dólar por dia e raríssimas pessoas tem acesso à Internet…).

Os birmaneses foram submetidos a um governo militar corrupto, vaidoso, paranóico e megalomaníaco que controlou o país de forma autoritária e violenta por muitos anos. Comentarei sobre isso melhor ao longo dos posts, especialmente no de Naypydaw (a bizaaaaarra capital) e no de Yangon, onde, por exemplo, o uso da moto está proibido até hoje porque os militares temem ser baleados por civis (afff, é muita paranóia!!).

Apesar do triste passado e de ser considerada a nação mais corrupta do planeta, o povo não perde as esperanças. O nosso guia falou com otimismo sobre o futuro do filho, pois acredita que ele sim poderá vivenciar um país melhor. Ele contou com pesar sobre a época da censura, do terror, das prisões, das mortes de oponentes ao governo e sobre o trabalho forçado a que alguns foram submetidos para sustentar esse sistema abominável, que deixou na miséria uma nação potencialmente próspera.

Eu torço de verdade para que esse passado se reverta logo e para que o Myanmar de fato vire um país próspero num futuro bem próximo. Eles merecem muito! Que povo e que lugar!!

O Myanmar compõe o famoso sudeste asiático e faz fronteira com a Índia, China, Bangladesh, Laos e Tailândia. É banhado pelo Oceano Índico, contando com praias e ilhas paradisíacas, sendo muitas delas ainda desconhecidas. Algumas ilhas não tem nem nome ainda, então esse é o momento, se quiser ter uma ilha inteirinha para chamar de sua! 

tudo sobre o Myanmar, Myanmar

                            Foto: www.asiacomentada.com.br

O Myanmar é um país relativamente grande (um pouco maior que a França), e por isso o clima varia de região para região, assim como as paisagens, que vão desde praias e ilhas tropicais a cerrados e florestas.

As estações do ano não são bem definidas, mas o  clima predominante é o tropical, classificado basicamente entre quente/frio e seco/chuvoso. No norte, o clima costuma ser mais seco e as temperaturas bem mais amenas que no sul (ex, Bagan e Inle Lake). Então, se você visitar norte e sul numa mesma viagem, tem que levar roupas mais quentes para não passar frio no sul.

Em geral, os melhores meses para turismo vão de setembro a fevereiro, quando as temperaturas estão mais baixas e não chove muito.

Em março e abril as temperaturas já sobem bastante e a partir de maio a agosto chove muito, o que atrapalha os planos dos turistas, já que alguns lugares ficam completamente alagados. Lembro do nosso guia dizendo que na estação chuvosa não poderíamos passar de carro por vários lugares em que estivemos, pois fica impossível andar. Já que você vai praticamente cruzar o planeta para chegar lá, não vale a pena correr o risco, né?

Nós chegamos no Myanmar no dia 07 de janeiro de 2015 e saímos dez dias depois. Pegamos muito calor em todo o trajeto, sempre cerca de 30ºC, exceto em Inle Lake e em Bagan, onde fazia calor de dia e esfriava bastante à noite, chegando a uns 14ºC (fui despreparada e passei muito frio à noite). Não pegamos nenhum dia de chuva, nesse ponto foi perfeito!

tudo sobre o Myanmar, Myanmar

                    Fotos: Kenny Teo para flickr.com

= POR TERRA: parece que é meio complicado, pois ainda há regiões em conflito e portanto, não seguras. Além disso, o governo ainda proíbe a presença de turistas em alguns pontos e há fronteiras que permitem trânsito em apenas um sentido, ou seja, ou você entra ou você sai. Pela fronteira da China e Índia, dizem que é impossível. Pela fronteira com a Tailândia é possível mas trabalhoso, pois o turista pode se deparar com limitação de tempo de permanência (visto de um dia, “day trip”) e de território (como acontece na cidade de Kengtung, de onde não se pode passar se não tiver uma permissão especial que leva meses para sair, ou seja, super burocrático). Outro complicador é que na época chuvosa, devido às inundações, é capaz que você não consiga atravessar por alguns lugares (por Phu Nam Ron- Htee Kee, por exemplo). 

= AVIÃO: não existem voos diretos entre Brasil e Myanmar, então você obrigatoriamente terá que voar até a Tailândia, Singapura, Malásia, Índia ou China e pegar outro voo. É mais comum vir dos três primeiros países, sendo que as cidades de YangonMandalay e Naypydaw recebem voos internacionais. Nós voamos desde Bangkok até Yangon pela Air Asia e deu tudo certo.

– Algumas companhias aéreas do Myanmar que possuem voos internacionais: Myanmar AirwaysAir BaganAsian Wings.
– Algumas companhias aéreas da Ásia que voam para o Myanmar: Air AsiaBangkok AirwaysVietnan AirlinesSingapure AirlinesMalaysia Airlines e Lao Airlines.
– Algumas companhias low cost que voam para o Myanmar: TigerairJetstar e Silkair.

 Visto

O visto é obrigatório para brasileiros, vale apenas para uma entrada no país e é possível obtê-lo das duas formas abaixo, desde que você chegue por algum aeroporto (não vale se chegar por terra). 

= Internet: é só entrar no site do consulado do Myanmar (clique aqui), seguir as instruções, pagar a taxa em dólares com cartão de crédito (pagamos 50 dólares cada um na época), e, cerca de três dias depois você receberá por e-mail uma carta de aprovação que deverá ser apresentada na chegada ao Myanmar para a obtenção do visto propriamente dito. Leve uma foto colorida de 4.8 cm x 3.8 cm e saiba que a carta vale por 90 dias, então não faça o processo com muuuuuita antecedência, faça mais perto de viajar para não correr o risco de perder a validade.

= Consulado: no Brasil, a Embaixada do Myanmar fica em Brasília e imagino que o processo seja muito mais burocrático do que fazer pela Internet. Para quem quiser chegar por via terrestre, tem que ser por essa modalidade, não vai ter jeito.

Quando desembarcamos em Yangon, vi que tinha um balcão dizendo “visa on arrival” . Pode ser que eles estejam se preparando para ter mais essa opção, porque não tinha ninguém na fila, não parecia estar funcionando. Não custa conferir se já existe essa modalidade e, se já existir, não esqueça de levar foto 3×4 (e de me contar aqui nos comentários!).

Sei também que muita gente tira o visto em Bangkok. Se você vai passar pela Tailândia antes e tem dias suficientes para cumprir o procedimento, fica aí mais uma opção (meio arriscada, porque vai que acontece alguma coisa bem na sua vez, rs…). Eu recomendo fazer como nós fizemos: garantir o visto pela Internet e chegar tranquilos de avião. Foi super simples e deu tudo muito certo, nem demorou muito na imigração! 


 Língua

Existem cerca de quinhentas línguas faladas no Myanmar, mas a predominante é o birmanês, que é beeem difícil para nós brasileiros! Não dava para entender uma palavra… mas algumas eram tão sonoras que não vamos esquecer nunca, como o famoso “MINGALABÁ”, que, na boca dos turistas significa uma saudação (tipo um “oi”), mas para os birmaneses significa algo que para nós seria um “Deus te abençoe”.

Eles não tem uma palavra específica para falar “oi”, geralmente falam algo relacionado a uma situação que tenha a ver com o momento, como, por exemplo, “onde você estava?” ou “você já tomou café da manhã?”. Mas eles sempre falam o “mingalabá” para os turistas. Você vai escutar toda hora! Era muito legal!

Outra coisa que achei super difícil é que os birmaneses tem mais de uma palavra para dizer sim e não e dependendo da situação, usam uma palavra ou outra. Bem que eu percebia que às vezes eu perguntava alguma coisa cuja resposta era sim e o guia fazia não com a cabeça ou vice-versa… imagina o nó que deve dar na cabeça deles: ouvir em inglês, traduzir para o birmanês, pensar a palavra birmanesa que representa o sim ou o não naquela situação e responder para a gente em inglês de volta (e com certeza eles fazem toda essa ginástica mental porque o inglês deles não é aquela maravilha. e dificilmente eles “raciocinam” em inglês…)!!

Abaixo algumas palavras bem básicas para você ver como não é naaaada intuitivo!! 

Palavras básicas  Em birmanês  Pronuncia assim
 Por favor  kyè – zù -pyú – bì  tchêzubi
 Obrigado  kyè – zù – bèh  tchêzubê
 Desculpa  sàw – ri – naw  sórrinó

 Moeda

É o Kyat, extremamente desvalorizada, portanto, você andará sempre com um bolo enoooooorme de notas que mal cabem na carteira! Quanto às moedas, uma má notícia para os colecionadores: foram tiradas de circulação. É bom já chegar sabendo para não se decepcionar!

O dólar é bem aceito no país mas hoje em dia não precisa mais levar aos montes, já é possível sacar dinheiro nos caixas eletrônicos, principalmente nas cidades mais turísticas.

Dica: se levar dólar, certifique-se de que as notas são novas e estão em ótimo estado de conservação. Qualquer rabisco ou rasgo eles simplesmente não aceitam. E eles analisam minuciosamente MESMO, eu presenciei várias vezes.

tudo sobre o Myanmar, Myanmar

Olha o elefantinho na nota, que fofo!

Myanmar, Mianmar, Burma, Birmânia, Kyat, tudo sobre o Myanmar

Olha o bolo de dinheiro! Parece muito mas não é nada… o Kyat é super desvalorizado…


 Vacina

Antes de ir li que era obrigatório ter o Certificado Internacional da vacina contra a febre amarela, mas em nenhum momento pediram. Já na Tailândia eles exigem, e, como viajar para o Myanmar via Bangkok é muito comum, é melhor ter.

Na dúvida é melhor garantir e sempre levar (aprendi depois de passar apuros em outras viagens e o Daniel quase me matar, rs). Lembrando que a vacina deve ser tomada no mínimo dez dias antes da viagem, sob pena de não ser aceita (para garantir tome com mais antecedência ainda).


Telefone e Internet

No aeroporto, após pegar as malas, paramos no guichê da Telenor, a companhia norueguesa que domina o ramo da telefonia no Myanmar, e compramos um SIM CARD para ter Internet durante a viagem. Até que funcionou razoavelmente bem. Custou 12.000 kyat, o que correspondeu a uns R$ 40,00 para 1GB, que duraria umas duas semanas. Se acabar antes, você pode comprar mais créditos facilmente. Vende em qualquer lojinha de rua, é só perguntar no seu hotel ou para o seu guia.


 Vestimenta e boas maneiras

Os birmaneses são MUITO religiosos e respeitosos, portanto, vale a pena chegar sabendo como se comportar nos locais sagrados. Além de estar adequadamente vestido, é importante manter silêncio dentro dos templos e pagodas, principalmente se tiver alguém rezando por perto. Além disso, é primordial respeitar as regras da religião, como por exemplo, jamais deixar os pés apontados para o Buda ao sentar (a cabeça pode, caso se deite) ou mulheres subirem em alguns altares que são reservados apenas para homens (você verá placas).

Para entrar nos templos e pagodas, homens e mulheres tem que estar com ombros e joelhos cobertos. Uma boa alternativa é comprar um longyi  espécie de sarongue de algodão – que você pode amarrar por cima da sua roupa caso esteja o maior calor e você não queira ficar andando de calça.

Não é legal usar shorts e saias muito curtas, bem como decotes profundos em respeito à cultura e religião dos birmaneses. Tem muitas barraquinhas vendendo o longyi bem baratinho nos pontos principais que você vai visitar. Em alguns templos e pagodas eles emprestam, mas como não são todos, vale a pena comprar e evitar de ser barrado em algum lugar. 

Eu comprei e foi super útil para colocar por cima do short (fazia um calor insano em alguns lugares), além de ser uma recordação do Myanmar. E o legal é que os birmaneses adoravam ver que nós estrangeiros estávamos vestindo a roupa tradicional deles, sempre vinham elogiar. Sério, eles ficavam muito felizes porque praticamente TODOS usam diariamente, seja homem ou mulher. 

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          Nós de longyi.

Além de cobrir ombros e joelhos, temos que entrar sem sapato nos templos e pagodas. E eles não permitem o uso de meias ou qualquer outra proteção para os pés como na Tailândia, por exemplo. Os sapatos, chinelos, etc., são sempre deixados na porta das pagodas e ninguém mexe, não precisa se preocupar. Maaaaas prepare-se para ficar com o pé encardido como nunca porque se anda MUITO dentro das pagodas!!!!

Dica: andar apenas de chinelos tipo Hawaianas, ou com algo que seja facilmente lavável, porque no fim do dia você conseguirá esfregar bastante e usar novamente no dia seguinte. E lá TODO MUNDO usa apenas chinelo, não vi ninguém de sapato. Aconselho também a andar sempre com lencinhos umedecidos e álcool gel na bolsa para dar uma limpada no pé entre um lugar e outro…

Eu admito que sou muito chata com limpeza, mas jamais deixaria de viver novas experiências por causa das minhas manias. Viajar tem muito disso, né? De vez em quando você tem que sair da sua zona de conforto, enfrentar medos, superar pré-conceitos (no sentido literal da palavra), deixar de lado “frescuras” e por aí vai. E o sacrifício sempre vale a pena!

Enfim, depois de chegar todos os dias com o pé imundo no hotel, acho que entendi o porquê dos locais usarem só chinelos no Myanmar .


  Fotografias

No Myanmar você vai se sentir um artista de Hollywood ! Quem já foi para algum lugar onde o turista vira artista de cinema não vai estranhar, mas quem nunca foi, vai achar a situação BIZARRA! 

Homens, mulheres, crianças, adolescentes paravam a gente o tempo todo para tirar foto. Eu já tinha passado por isso em outros lugares, como no Egito, por exemplo, mas no Myanmar foi muito mais exagerado, chegamos a ser seguidos um tempão por um grupo de adolescentes e ver filas sendo formadas para nos fotografar. Isso mostra que turistas por ali ainda são novidade, por isso, mais uma vez repito: vá LOGO para o Myanmar se quiser ter uma experiência autêntica!!

Ah, e não negue as fotos, afinal, se é legal para eles, por que não tirar, né?

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Os quinze minutos de fama do Daniel…

Naypydaw, Myanmar

Meus quinze minutos de fama hehehhe

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Aglomerou!!!

Naypydaw, Myanmar

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        Meus últimos 15 min de fama, rs…

Ficamos dez dias no Myanmar e fizemos sete cidades, sendo que duas delas foram apenas day trip. Conseguimos ver tudo o que planejamos, mas já deixo claro que temos um ritmo bem acelerado, daqueles de sair do hotel às nove da manhã e voltar só depois do jantar todos os dias. Se você gosta de viajar com mais calma, fotografar tudo em detalhes ou curtir um spa entre uma coisa e outra, acrescente mais noites.

Yangon: 2 noites
Bago: passagem no caminho entre Yangon e Naypydaw
Naypydaw: 2 noites
Inle Lake: 2 noites
Bagan: 3 noites
Mont Popa: bate e volta a partir de Bagan
Mandalay: 1 noite

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               Rangun é Yangon e Pegu é Bago. O google maps ainda mantém os nomes da época da colonização britânica.

Queria muito ter ido às praias, mas infelizmente não tínhamos tempo. A mais famosa e com mais infraestrutura é sem dúvida a Ngapali Beach, que tem um aeroporto pertinho (o Thandwe Airport). No entanto, tenho certeza que também tem outras menos preparadas e que valem a visita para quem topa uma viagem mais roots, como a Ngwe Saung Beach.

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   Hotel Hilton //// Fotos booking.com

Além disso, as ilhas também prometem supreender. As que ficam perto do continente, como Cheduba e Ramree, são as que menos atraem, contudo, mais fáceis de chegar. Já o Mergui Archipelago é composto de oitocentas ilhas intocadas pelo turismo e fica bem no sul do país quase chegando na Tailândia (imagina como devem ser maravilhosas!). São habitadas por uma etnia conhecida como Moken ou sea gypsies (ciganos do mar – adorei esse nome!) e são ideais para quem gosta de mergulhar, já que a vida marinha por ali é bem diversificada.

A região das ilhas conta apenas com um resort, o sempre luxuoso Andaman, ideal para quem prefere curtir a estrutura de um mega resort numa praia paradisíaca do que ficar zanzando por aí. E, para quem prefere “zanzar” e conhecer mais ilhas, o mais comum é passear pela região a bordo de cruzeiros, já que precisa ter uma permissão para circular e não se pode navegar sozinho sem guia, pois há patrulhas checando documentação. Os cruzeiros partem da cidade de Kawthaung, onde tem um aeroporto.

Agora, onde eu realmente gostaria de ir é a chamada “The Coco Islands”, formada pela “Great Coco Island”“Little Coco Island” e outras ilhas menores, que, além de parecerem o paraíso na terra (areia branquinha, mar azulzinho e muitas tartarugas), tem uma história interessantíssima. Primeiro pelos nomes que soam bem familiar: foram os portugueses que encontraram as ilhas na época das grandes navegações e deram esses nomes porque o principal alimento por ali era o … coco! Esses portugueses… literais desde sempre, rsrsr!                   

Segundo porque uma delas serviu de prisão política na época da ditadura militar, ficando conhecida como “ilha do diabo”. Como podem ter dado esse nome para um lugar tão maravilhoso?!!!

Durante a história, as ilhas foram acirradamente disputadas entre Inglaterra, Índia, China e Japão. Hoje, apesar de geograficamente fazerem parte das Ilhas Andamã e Nicobar, que pertencem à Índia, são controladas administrativamente por Yangon, segundo o Wikipedia. Ao que parece, o turismo é completamente novo e limitado por lá. Não há relatos na Internet de quem já foi e muito menos hospedagem, mas li num site que saiu do ar que saem barcos de Yangon para a região, para quem quer mergulhar e ver os recifes de corais pelo caminho (não sei se é verdade, ainda não tem informação na Internet).

Dica: a melhor época para curtir as praias vai de novembro a abril. Depois começam as monções com muita chuva.

The Coco Islands, tudo sobre o Myanmar, Myanmar

The Coco Islands //// Foto myanmarburma.com

= Avião: muitas vezes as distâncias dentro do país nem são longas, mas acabam demorando demais porque as estradas são precárias. Por isso, geralmente as pessoas optam pelos voos internos, mas confesso que fiquei assustada com os poucos (mas para mim, suficientes) relatos sobre queda de aviões, aeronaves mega velhas, atrasos, cancelamentos frequentes, desorganização, amadorismo dos aeroportos, malas que não são etiquetadas e que são jogadas numa “sala” no desembarque para cada passageiro procurar a sua, etc, etc, etc….

Além disso, algumas das companhias aéreas internas não possuem serviço de venda de passagem pela Internet, você tem que comprar por telefone e obter uma “reserva”. Achei arriscado e não quis ficar sujeita a imprevistos que poderiam atrapalhar o planejamento da viagem. No entanto, tenho uma amiga que só andou de avião e não teve problema nenhum. Ou seja, é uma loteria… então, se você tem pouco tempo no país e quiser arriscar, dê uma olhada nessas companhias aéreas que voam internamente: Yangon AirwaysMann Yadarnapon AirlinesAir MandalayAir KBZGolden Myanmar AirlinesMyanmar AirwaysAir Bagan e Asian Wings


 = Ônibus: são mais utilizados que os trens e existem diversas companhias privadas com várias rotas. Tenho outra amiga que só andou de ônibus pelo Myanmar e ela indicou a Companhia JJ Express, onde há a categoria “Premium”, com ônibus mais confortáveis. Nas rotas para as cidades turísticas é bom comprar com antecedência e vá sabendo que os atrasos são comuns, principalmente na estação chuvosa.

Dica: algumas companhias de ônibus fecham por uma semana ou mais na época do Thingyan Water Festival, que ocorre em abril.


= Trem: eu não experimentei, mas ouvi dizer que são lentos, antigos, que atrasam muito, que chacoalha demais e que existe um forte risco de descarrilamentos. Geralmente possuem classe econômica e primeira classe. Existem também trens noturnos para quem quer economizar com hotel, mas creio que não são muito confortáveis…

E não é possível comprar on line, você terá que ir até a estação de trem ou pedir ajuda à alguma agência de viagem. Veja esse teaser do Anthony Bourdain no Myanmar para ter uma ideia da “aventura”, quando ele fala sobre viajar de trem por lá:


= Carro com motorista: por enquanto o turista não pode alugar carro no Myanmar e sair dirigindo. Nem existem locadoras. Na verdade, se o estrangeiro quiser dirigir enfrentará uma burocracia danada, com necessidade de permissão de dois órgãos diferentes e mesmo assim terá que carregar um motorista local o tempo todo.

Ou seja, é mais fácil contratar um guia privado/motorista, o que é muito comum e barato por lá. Foi o que fizemos e foi ótimo porque além de toda comodidade – não tivemos trabalho de pensar em mapas, pedágios, caminhos, gasolina e etc. –  ele nos explicou sobre todos os lugares que visitamos, deu dicas valiosas e isso fez toda a diferença para nos aproximar dos birmaneses e nos ajudar a compreender melhor a cultura do país.

Ainda, os locais conhecem bem as estradas, que não achei lá muito boas. Em alguns trajetos pegamos estradas estreitas de duas mãos, sem faixa divisória no meio. Eles ultrapassam o tempo todo e usam muito a buzina, o que deixa a viagem um pouco tensa, rs. Além disso, eles adotam a mão francesa, mas o motorista dirige do lado direito do carro, ou seja, a ultrapassagem é meio estranha, “sem visão”.

Muitos motociclistas andam sem proteção e é comum ver caminhonetes lotadas de gente pendurada, inclusive crianças, sem segurança alguma. Várias vezes cruzamos com animais no caminho também. Não achei perigoooooooso, mas não foram viagens super tranquilas. Não dormi e não desgrudei o olho, e, quando é assim, ter alguém que conhece as estradas dá um certo alívio (ou menos medo rs).

Apesar de tudo isso, as viagens pelas estradas foram muito legais para ver mais um pouquinho das paisagens e do modo de vida dos birmaneses. Uma cena que não vamos esquecer no caminho entre Naypydaw e o Inle Lake foi um bando de homens instalando um poste na rua, sem máquina nenhuma (era “no braço”!!!). Vimos também pessoas instalando cabos de fibra ótica na estrada, todos sem uniformes, debaixo do sol escaldante e sem equipamentos de proteção. Ali perto, vimos os barracos de palha onde moram, sem estrutura nenhuma, uma judiação.

Outra história que não vamos esquecer vem de uma região que passamos, onde nosso guia explicou que quem trabalha são as mulheres e os maridos ficam em casa cuidando dos filhos! Inimaginável num país ainda tão atrasado em que as mulheres muitas vezes não podem nem chegar perto do Buda em alguns templos. Isso sem falar na boiada que cruzava a estrada toda hora. Todo mundo pára e espera porque é normal os bichos cruzarem a estrada, rs.

O seu hotel ou agência de viagem pode indicar um motorista com carro e geralmente a hospedagem/comida do motorista, a gasolina e os pedágios estão inclusos no preço. Mas é bom combinar tudo isso previamente, principalmente gorjeta e milhagem (se será limitada ou ilimitada). Caso tenha interesse no nosso guia posso passar o contato por e-mail. Além de ter nos ajudado demais, ele é super simpático e pontual. Nós sempre trocamos mensagens, ele deixou muitas saudades!

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Nosso motorista esperando a gente literalmente no meio da avenida de vinte faixas em Naypydaw!! E não passa uma alma viva mesmo! Ficamos um tempão lá!!

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Um perigo isso…

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Boiada passando na estrada… todo mundo para e espera numa boa!!!

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Até os pedestres…

Se tem um lugar onde realmente parece que voltamos no tempo é no Myanmar. Vimos vilarejos extremamente rústicos, totalmente carentes de infraestrutura básica, muitos monges, pessoas muito simples e super religiosas que ainda andam por aí vestindo o longyi com o rosto coberto por thanaka enquanto mascam a noz de areca em folha de betel.

O longyi já mostrei antes o que é (segue outro “modelito”… não resisti e comprei dois heheh), já a thanaka é uma pasta amarelada feita da mistura de água com galhos de uma árvore chamada Limonia acidissima. Eles “raspam” os galhos num tipo de cerâmica e sai um pó bem fino, que, ao ser misturado com água, forma uma pasta leitosa. Depois de passar na pele, seca rapidinho.

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   Mais uma do longyi e a thanaka no rosto dessas crianças fofas!!

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Thanaka industrializada.

Praticamente todas as mulheres e crianças usam a thanaka. Homens nem tanto. Segundo as birmanesas, esse cuidado milenar protege a pele do sol, deixa a pele macia, controla a oleosidade, evita rugas e manchas, é refrescante e é ótimo contra a acne e irritações na pele! E viva a sabedoria oriental!!

Hoje já pode ser encontrada na forma industrializada (até trouxe para uma amiga vegana). Descobri que lá as mulheres também acham bonito ter a pele bem branca, como em todo o sudeste asiático.

Quanto à noz de areca em folha de betel que eles mascam, é uma semente que funciona como a nicotina. Segundo o nosso guia, é viciante e relaxa. O ruim é que tem potencial cancerígeno e deixa os dentes com uma cor avermelhada, com um aspecto de podre, parecendo que tem sangue na boca. Além disso, eles cospem na rua sem nenhuma cerimônia, deixando rastros e rastros por toda parte.

19-25

Nosso guia comprando o fumo.

O povo é muito pacífico, simpático, solícito e para eles a família é o bem mais precioso. Costumam morar todos juntos depois de casar. Geralmente a esposa muda para a casa da família do marido e, se, por qualquer razão um integrante tiver que mudar de cidade, todos vão junto.

São também muito curiosos em relação à nós, estrangeiros. Como eu já contei, fomos parados mil vezes para tirar fotos com eles e as mulheres nos olhavam como se fôssemos artistas de cinema, heheheh. Já os homens não, eles são muito respeitosos, exceto um monge ou outro que de vez em quando soltava umas gracinhas…

Apesar da curiosidade, ninguém por lá conhece o Brasil e nem se interessa em saber um pouco mais quando respondemos que somos daqui. Nosso próprio guia é formado em geografia e nunca ouviu falar do Rio de Janeiro. Triste realidade, mas não podemos julgar tendo em vista o complicadíssimo passado desse povo…

A culinária birmanesa sofreu influências dos países vizinhos Tailândia, China e Índia, mas ficou menos apimentada e condimentada. O modo de comer é bem parecido com o indiano porque eles colocam vários potinhos na mesa com carnes, legumes, verduras, sopas e sempre muito arroz. Alguns comem com as mãos.

O prato nacional é o mohinga, uma espécie de noodle com peixe, cebola, alho, limão, pimenta, capim santo e alguns adicionam abobrinha frita ou ovo cozido. Os ingredientes variam de região para região.

prato do dia a dia (tipo o nosso arroz com feijão) é carne, peixe ou camarão com curry, mergulhados num molho com arroz, vegetais fritos e um pote de sopa apimentada ou amarga.

Quanto às bebidas, o chá é muito apreciado, tanto é que  eles tem as tradicionais Tea Houses, onde você senta, eles trazem alguns aperitivos sem você pedir e você só paga o que consumir. Eles frequentam muito esse lugares para encontrar amigos ou mesmo para encontro de negócios. E uma curiosidade é que eles chamam os garçons/garçonetes fazendo o som de um beijo estalado! Não se assuste e nem se ofenda, é normal! 

Agora, sobre bebida alcóolica (não muito consumida em vista do budismo), experimente a cerveja local, a Myanmar Beer e os vinhos birmaneses, que são surpreendentemente bons (falei sobre uma vinícola no post de Inle Lake). 

Fomos em vários tipos de restaurantes: mais baratos, mais caros, turísticos, locais, dentro de hotéis, e, sinceramente, eu não gostei muito da comida birmanesa. E às vezes ficava receosa quanto à higiene. O jeito foi dar prioridade para lugares turísticos, onde sempre havia opções de pratos ocidentais. Por outro lado, é difícil um restaurante birmanês que não sirva alguma opção tailandesa, indiana, vietnamita ou chinesa, então dá para “dar uma variada “se você não gostou da culinária birmanesa, ou, se já estiver enjoado.

Como ninguém vai ao Myanmar atrás de experiências gastronômicas, está tudo certo! Dá para sobreviver variando com pratos de outras nacionalidades.

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Mohinga //// Foto luxuryasiavacation.com

O budismo representa quase 90% da população e os outros 10% estão divididos entre muçulmanos, cristãos e hindus, todos convivendo em perfeita harmonia, exceto em regiões pontuais do país, onde ainda há perseguição religiosa e sérios conflitos.

A vida por lá gira em torno da religião. As pagodas e templos são na maioria frequentadas por locais, mesmo nos lugares mais turísticos, o que torna a experiência incrivelmente verdadeira para nós. Os monges são muito respeitados pelo povo e vivem de doações. Todos os dias pela manhã recebem comida e outros objetos para terem as necessidades básicas satisfeitas, num ritual muito parecido com o da “Ronda das Almas” do Laos. Presenciamos o ritual de doações em um monastério em Bago, foi muito legal!

Para se ter uma ideia do grau de religiosidade desse povo, o programa do fim de semana é visitar pagodas e templos em família! Nada de cineminhas ou balada, rs… Aliás, acho que nem existe balada no país, não vimos nenhuma em nenhuma das cidades.

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Birmanesa rezando na Uppatasanti pagoda, em Naypydaw.

O esporte mais praticado no Myanmar é o chinlone, muito parecido com o nosso “futevôlei”, mas com uma grande diferença: não há competição. São seis pessoas num círculo, cujo objetivo é não deixar a bola cair. Adorei!!! Parece aquele vôlei de roda de rua da infância, vimos por todos os lugares!!

Uppatasanti pagoda

Parece vôlei!

– Semana de 8 dias: lá a semana tem oito dias e não sete, pois a quarta-feira é dividida em dois. É estranho, mas fique tranquilo porque esses dois dias que compõem a quarta-feira são mais curtos, e somados, dão um. O primeiro vai até o meio dia e o segundo vai até a meia noite. Por isso não faz a menor diferença para nós turistas. Segundo às fortes crenças astrológicas deles, cada dia da semana é representado por um animal. Daí fica a pergunta se a quarta-feira tem dois animais que a representam. A resposta é não porque o animal da quarta-feira é um elefante, mas o da quarta antes do meio dia é um elefante com presas de marfim e o da quarta à tarde é o mesmo elefante sem as presas.

– Fuso Horário de meia hora: nunca tinha ouvido falar em fuso horário de meia hora de diferença em relação a outros países… estranhamos quando ouvimos o horário local no avião antes de pousar no Myanmar. Achamos até que tínhamos entendido errado, mas não… era isso mesmo! Bom, num lugar onde a semana tem oito dias, não deveria ser estranho o fuso ser assim, quebrado!

– Trânsito: a herança britânica trouxe o costume de dirigir na mão inglesa, contudo, nos anos 70 o governo militar resolveu que eles passariam a dirigir na mão francesa, o que deixou tudo muito confuso, pois, hoje eles dirigem como aqui no Brasil, mas sentados no banco direito do carro! É um pouco complicado ja que você perde a visibilidade ao ultrapassar pela esquerda sentando do lado direito… 

– Pessoas sem sobrenomes: as pessoas não possuem sobrenomes, só nomes, portanto, você não sabe quem pertence à mesma família. É muito comum que o primeiro nome da pessoa seja o dia da semana em que ela nasceu, pois, como disse acima, eles creem muito em astrologia. É comum mudar de nome de acordo com as circunstâncias. A famosa líder, ganhadora do Nobel da Paz, chamava Htein Lin e mudou seu nome para Aung San Suu Kyi após se tornar uma revolucionária, pois esse último nome significa ‘vitória’.

– Diferença entre estupa, pagoda e templo: estupa é um monumento onde os budistas guardavam restos mortais, e hoje guardam relíquias (parece uma cúpula e está sempre presente nas pagodas). Pagoda é o conjunto formado entre a estupa, os templos e eventualmente outras pagodas menores que a cercam, como acontece na Shwedagon, em Yangon. Templos são locais de meditação e não de veneração ao Buda.

Se você não tem muita paciência para história, pode pular essa parte porque a do Myanmar é beeeeem longa, por mais que eu tenha tentado resumir!!! É um país milenar que passou por muitas invasões, dominações, guerras, autoritarismo, ditadura, ou seja, tem um passado bem complexo e sofrido.

Por milênios e milênios, houve uma sucessão de tribos provenientes da China e do Tibet que dividiam o Myanmar em cidades-estado. Em 1044 a tribo Bamar se estabeleceu na cidade de Bagan, escravizou as demais e unificou o país, formando o primeiro importante Império que triunfou por cerca de dois séculos, decaindo após uma invasão mongol. Nesse Império foram construídas muitas das famosas pagodas de Bagan.

Em seguida várias dinastias se revezaram no poder e lutaram contra invasões chinesas e tailandesas, até que veio a invasão britânica e as três guerras anglo birmanesas, que duraram de 1824 a 1885.  Durante essas guerras a capital foi transferida de Mandalay para Rangoon (atual Yangon). O país virou uma província indiana, chamando-se Birmânia.

Na Segunda Guerra Mundial o Myanmar foi invadido pelo Japão, que saiu derrotado em 1943. Em 1947, um líder chamado Aung San assinou um acordo para a independência em relação ao Reino Unido, sendo assassinado logo depois. Aung San, o herói da independência birmanesa era o pai da líder do movimento democrático na Birmânia, a famosa ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.

Aung ganhou o prêmio em 1991 mas foi impedida pelos militares de ir à Europa recebê-lo. Sua sacrificada trajetória pela luta da independência da Birmânia lhe rendeu fama mundial, tanto que a banda U2 fez a música “Walk On” para ela e o Bono Vox virou seu amigo. Existe também um interessante documentário sobre essa corajosa líder, chamado “Uma Mulher Destemida”, ou, em inglês, “Lady of No Fear”.

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Foto oglobo.com

Em 1948 a Birmânia finalmente conquistou a independência do Reino Unido e o líder socialista U Nu, nomeado Primeiro Ministro, foi deposto por um golpe em 1962. Começa aí a terrível dominação militar do Myanmar, que vai até 2011. Uma série de medidas típicas de um governo autoritário foram tomadas: foi promulgada uma constituição estabelecendo um sistema unipartidário, setores econômicos foram nacionalizados, houve rápida desaceleração da industrialização, isolamento do resto do mundo, expulsão de Bancos estrangeiros, proibição do ensino do inglês nas escolas e por aí vai.

Consequentemente, a Birmânia se tornou um dos países mais corruptos e pobres do mundo e o poder passou a ser revezado por alguns generais, dentre os quais destaco o Saw Maung que em 1989 mudou o nome do país de Birmânia para Myanmar e da capital Rangoon para Yangon, a fim de eliminar qualquer vestígio britânico.

A oposição recrudescia exigindo a democratização do regime. Nesse meio tempo a influente líder Aung San Suu Kyi voltou da Europa, mas foi mantida sob prisão domiciliar, situação a que foi submetida diversas vezes, sem poder sair do país e ver seu marido e filhos que moravam fora. Diante do turbulento cenário, os militares permitiram a criação de novos partidos e anunciaram eleições para 1990 para o surgimento de uma Assembleia Nacional Constituinte. O partido da líder Aung San Suu Kyi, a Liga Nacional para a Democracia, saiu vitorioso mas ela e seus líderes foram impedidos de governar e foram colocados na ilegalidade.

Em 1992 o general Saw Maung foi substituído pelo militar Than Shwe, o que só fez a agitação popular aumentar e os choques armados continuarem. Opositores continuaram sendo perseguidos. Os EUA adotaram sanções econômicas devido ao menosprezo aos direitos humanos.

Apenas à título de curiosidade e para ilustrar a contradição em que sempre viveu o país, existe um vídeo no youtube sobre o casamento da filha desse general Than Shwe, coberta de diamantes enormes, quando estima-se que ganhou mais de 50 milhões de dólares em presentes de casamento , onde, sem dúvida, os convidados eram, obviamente, todos militares. A qualidade do vídeo não é boa, mas quem quiser ver, clique aqui.

Sob pressão, a junta militar foi dissolvida em 2011, quando uma série de reformas políticas, econômicas e sociais foram tomadas. O partido de Aung San Suu Kyi finalmente saiu da ilegalidade e ganhou a primeira eleição democrática em 2015 para liderar o Poder Legislativo, parecendo que uma nova era está por vir. A vitória garantiu ao partido, que possui a maioria parlamentar, a indicação de dois presidentes para a eleição de março de 2016. E um deles ganhou: o Htin Kyaw, fiel escudeiro da Aung San Suu Kyi!!!

A própria Aung San Suu Kyi não pode se candidatar para a presidência porque a Constituição impede que cidadãos com filhos estrangeiros exerçam o cargo de chefe de Estado… parece brincadeira, né? Certamente criaram essa lei porque sabiam que ela ganharia de lavada…uma pena…

No entanto, apesar do aparente avanço, os militares ainda conservam três ministérios-chave (Interior, Defesa e Fronteiras) e 25% dos assentos no Parlamento… ou seja, na prática, eles continuam e continuarão no poder por um bom tempo, atrapalhando as necessárias mudanças. Mas parece ser um começo… e tomara que realmente seja!!


 Bom, essas são algumas informações relevantes que reuni para uma primeira visita ao país. Sim, primeira, porque você vai se encantar pelo Myanmar num grau, que com certeza vai querer voltar muito em breve!

Ficamos tão APAIXONADOS que não existe um dia que não conversamos sobre esse lugar. E quando encontramos alguém que já foi então… o papo não tem fim! E não é porque eu sou “a loka da viagem” não, rs, as pessoas que já foram sentem uma necessidade de falar e falar e falar… acho que alivia um pouco a saudade! Que não é pouca!

É o tipo de lugar que TEM QUE IR para entender… por mais que eu ou qualquer outra pessoa se esforce para contar, escrever, fotografar, jamais será possível transmitir metade da maravilha que é a experiência de pisar e conhecer um país ÚNICO como esse. Com certeza é um dos mais fascinantes em que já estive. SUPEROU TODAS AS MINHAS EXPECTATIVAS!! E as do Daniel também!

Para saber sobre a viagem completa, não deixe de ler os posts de cada cidade: Yangon, Bago, Inle Lake, Naypydaw, BaganMandalay.

Espero muito que tenham gostado da introdução! Para terminar, deixo um vídeo profissional com várias imagens lindas, e um amador que montamos, com imagens e vídeos que fizemos aleatoriamente, mas que mostra alguns dos lugares citados nesse e nos próximos posts (algumas cenas só vai entender quem já esteve lá)! Vale a pena ver!

“Mingalabá”, Thaís! 

Myanmar from Thais Natale on Vimeo.

thaisnatale

thaisnatale

Meu nome é Thaís, sou advogada e estou sempre planejando as próximas viagens. Já estive em mais de cinquenta países e resolvi criar esse blog a pedido da família e amigos que sempre me pedem dicas e ajuda com os roteiros. E, como gosto de escrever, decidi atender aos pedidos! Sejam bem vindos e espero muito que as minhas dicas e experiências ajudem! Boa leitura!!!